segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Por que o medo, Santos?/ Por Cacá Gouveia

O resultado da final do Mundial de Clubes foi a confirmação de uma tragédia anunciada: “O Barcelona vai atropelar o Santos”. Todos, ou quase todos, diziam isso.


Digo quase todos, porque eu acreditava, mesmo com nível inferior de conjunto, que o Santos entraria em campo com sangue nos olhos e jogaria com o coração. Ledo engano.

Não me lembro de ter visto um time tão medroso como esse o qual enfrentou (???) o Barça. A verdade é essa: o Santos jogou como time pequeno e, guardadas as devidas proporções, pareceu o yorkshire na mão da enfermeira e o maior retrato desse medo – em minha modesta opinião – foi o lateral direito Danilo que pediu pra sair alegando fortes dores na região lombar.

Tanto os comandados, como o comandante Muricy Ramalho sabiam que o Barcelona jogaria daquela forma: tocando a bola de pé em pé em passes curtos, cadenciados, ensaiados, com volume e objetividade. Mas ninguém teve a simples ideia de combater esse esquema de jogo.

Um combate ao futebol perfeito do time espanhol daria resultado? Não sei, porém, a certeza é que o melindre não existiria e a possibilidade da conquista do título passaria a ser mais concreta.

Há uma frase muito citada por vendedores a qual diz o seguinte: “o 'não' eu já tenho, então vou atrás do 'sim'”. E faltou ao alvinegro praiano assimilar essa ideia. Se havia o pensamento de que o Barça atropelaria o Santos, então que o Peixe entrasse em campo mostrando a possibilidade do contrário.

E faria isso se deixasse o medo de lado, adiantando a marcação e eliminando os espaços, principalmente no meio-campo. Entretanto, deve-se deixar claro que se esta suposição fosse colocada em prática o título ainda não estaria assegurado, pois do outro lado estava uma das melhores equipes da história do futebol. Porém, certamente seria uma briga de Davi contra Golias.

Na verdade, o torcedor santista não deve se entristecer pela perda do título, mas pela covardia apresentada pela equipe.

Foto: Yuriko Nakao/Reuters

Um comentário:

Adriano C. Tardoque disse...

Cacá, concordo com tudo que você disse. Está claro para mim que o Santos foi superestimado, pois existia a necessidade midiática de contrapor Messi com Neymar. A imprensa quebrou a cara! O nível das equipes era absurdamente desproporcional. É por estas e outras que o futebol no mundo deverá ser repensado. Ou teremos que assistir o Barcelona devorar tudo, nos próximos 15 anos.

Se puder, de uma espiada no meu texto e fique livre para usá-lo:
http://futebolfenomenosocial.blogspot.com/2011/12/fc-barcelona-uma-resposta-historica-da.html

Abraço!